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Falar ou escrever sobre uma proposta inovadora é um desafio. Principalmente quando se é leigo no assunto e quando um mero contato com o referido tema não nos qualifica como um expert e nos sujeita a cometer equívocos próprios dos pretensiosos.
Assim mesmo resolvi correr o risco e ao ingressar em searas desconhecidas o fiz com o coração desarmado e a melhor das intenções exatamente como convém ao praticamente da Biodança e se por acaso cometer erros conceituais tenho certeza de que não serei condenado por isto ao “fogo do inferno”.
Pedi em pensamento ao meu “Navegador Interno” que assumisse o comando da missão a que me propunha e logo sua contribuição se fez sentir com uma pergunta chave.
“Para que serve a Biodança?”. Imediatamente dois quadros se desatacaram em minha mente. Primeiro o turbilhão de gente e veículos se entrecortando no Funk agressivo e desafinado das nossas grandes e enfumaçadas cidades. As pessoas quais sonâmbulos se esbarrando alienadas entre si nunca expressão de angustia e solidão em meio à multidão.
Aquela imagem de caos urbano foi substituída por uma paisagem suave e reconfortante de uma praia deserta, as ondas deslizando carinhosamente sobre a areia. Pássaros em vôos rasantes tocando levemente nas águas azuladas contra o horizonte ensolarado. Por um breve instante vi entre nevoas de um passado distante uma comunidade mística, pessoas em vestes brancas se movendo numa dança coletiva e primitiva numa integração completa entre o ser e deste com a natureza.
Eis a proposta da biodança, integrar o ser consigo mesmo, com os outros e com a própria vida. O nome “dança” do termo me sugeriu em principio algum ritmo novo criado por um coreógrafo plantonista com o propósito de exercitar o jogo de músculos e nervos do praticante, melhorar funções vitais ao lançar em sua corrente sanguínea, elementos químicos como a betaendorfina, produzir um melhor funcionamento de nosso aparelho circulatório e pulmonar etc.
Só que a proposta da Biodança vai muito, além disto, porque ela atua exatamente no nó górdio de nossas relações intra e interpessoais. Sem querer promovê-la a Panacéia Universal a Biodança pode vir a ser um poderoso instrumento na cura de nossos males físicos e psiquicos/emocionais.
Nela as pessoas se igualam em um jogo social simulado, livre das armaduras e mascaras que servem em nossas relações comuns. Não há na Biodança um mais elegante nem um mais desajeitado, um mais tímido e outro mais desenvolto, o feio e bonito nas aparências cede lugar a uma relação de maior respeito da pessoa consigo e com o outro.
Por um breve momento o praticante pode sentir na pele uma relação de qualidade onde a confiança e o afeto, atingem estágios difíceis de serem atingidos no convívio diário. Poderia dizer sem exageros que nesta pratica tomamos um “porre de gente”, e esta forte vivência pode ser percebida na expressão de alivio e satisfação que se observa nas pessoas como que se uma nova perspectiva de vida se descortinasse diante de seus olhos.
Observamos que apesar da complexidade da vida, das relações difíceis, das mascaras e armaduras que servem a nosso dia a dia o que as pessoas querem no fundo é muito pouco. As pessoas querem dar e receber afeto, confiar e receber confiança e neste sentido a Biodança pode dar uma contribuição importante ao romper com barreiras construídas em torno delas e abrir o dique das demandas emocionais reprimidas permitindo um fluir mais natural e saudável da vida como um todo.
Esta técnica criada pelo Antropologo chileno Rolando Toro pode revolucionar nossas vidas ao contribuir nesta busca incessante pelos elos perdidos com nossa espiritualidade, com nossos semelhantes e conosco mesmo.
A Biodança não é para ser explicada ou entendida, mas vivenciada e só quem resolver se arriscar poderá entender seus benefícios e se livrar de vez dos preconceitos e de estruturas de crenças arcaicas que vem condenando a humanidade a viver uma vida capenga, sem brilhos e sem perspectivas.
A Biodança pode nos levar a uma vida plena que vale a pena ser vivida sem medos, sem frescuras, sem preconceitos onde a expressão “Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo” pode ser compreendida na sua integridade.


JOÃO DRUMMOND

Tags: biodança, criatividade, expressão, potencial, talento, vida

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