Querid@s amig@s:
Nos últimos dois meses, participamos juntos da fase de testes da Rede Social Le Monde Diplomatique, dedicada especialmente aos Pontos de Cultura, Pontos de Mídia Livre e a todo os que constroem a Comunicação Compartilhada. Além disso, alguns de nós nos encontramos e organizamos atividades e planos conjuntos, em São Luís (Laboratório de Mídias Livres) e Belém (Fórum Social Mundial). Como criadores da Rede Social, temos a responsabilidade de relatar alguns fatos tristes relacionados à experiência; e, ao mesmo tempo, de propor alternativas para superá-los.
1. Em 24 de março, a direção do Instituto Paulo Freire demitiu toda a equipe que criou o Pontão e montou a Rede Social. Fomos afastados Carolina Gutierrez, Marília Andrade e Antonio Martins, que fomos também, no último ano e meio, a Redação do Le Monde Diplomatique. Nossa visão sobre este ato, que consideramos uma tentativa de apropriação de um trabalho coletivo, está expressa no documento anexo.
2. Em 27 de março, a própria rede (
http://diplonarede.ning.com) foi tirada do ar. Tornaram-se inacessíveis os 82 perfis construídos pelos usuários e as postagens de textos, vídeos, fotos e áudios feitas por dezenas dos membros da rede.
Do ponto de vista institucional estamos, por enquanto, de mãos amarradas. Como mostra nosso texto, o IPF está se valendo das posições de poder que tem no projeto. A partir de 1º de abril, por exemplo, não seremos mais remunerados por nosso envolvimento na Rede. Porém, decidimos não abandonar nem os planos, nem o trabalho. Estamos tomando as seguintes providências:
> Reconstituir a Rede Social a partir deste fim-de-semana. Ela está sendo remontada em
http://outraspalavras.ning.com. Levará algum tempo para que recupere todas as funconionalidades anteriores; e não queremos abrir mão nem dos conteúdos, nem da estrutura criada em “diplonarede”. Mas o novo endereço permite retomar, provisoriamente, nossa interação.
> Estudar formas de reivindicar, do Instituto Paulo Freire, que recoloque “diplonarede” no ar. Não se trata de propriedade de uma instituição – mas de uma ferramenta construída com recursos públicos e trabalho coletivo. Gostaríamos de discutir com vocês, nos próximos dias, a melhor forma de fazê-lo.
> Buscar recursos para participar da agenda de atividades que começamos a montar em São Luís e Belém. Já há encontros previstos para Santa Maria, Belo Horizonte e Recife, além de eventos da nossa agenda comum, como o FISL. Embora não tenhamos mais acesso aos recursos destinados pelo MinC ao Pontão, vamos nos empenhar em seguir juntos com vocês, nas construções comuns.
Estamos indignados; mas firmes e fortes. Quem sabe não sai, desta experiência um tanto traumática, uma articulação ainda mais forte, horizontal e participativa entre os Pontos que se empenham na Comunicação Compatilhada.
Abraços e beijos
Carolina Gutierrez, Marília Andrade, Antonio Martins