O que se passa no norte do país? Alguém sabe?
Esta carta foi divulgada pela LCP- Liga dos Camponeses Pobres em defesa dos camponeses que estão sendo massacrados por grilheiros sob a tutela da Polícia Federal do Brasil e com o aval de toda uma massiva opinião pública, que tem o infortúnio de se nortear por veículos claramente defensores da propriedade privada, do "Estado de Direito" de uma elite historicamente representada nos meios de comunicação. A LCP é um movimento social histórico do nosso país, precurssor, inclusive, do famigerado MST. Um movimento sério, que tem como base a formação política e consciente do lavrador, que passa a se tornar agente de seu próprio futuro.
O telefone da Liga Operária Camponesa em BH é 3291-4713
Falar com o Núcleo dos Advogados do Povo.
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Jaru, 11 de abril de 2008
O acampamento Conquista da União, localizado próximo à cidade de Campo Novo-RO, foi atacado na manhã do dia 9 de abril por cerca de 100 jagunços fortemente armados, com coletes a prova de balas, coturno e capuz preto. Os camponeses saíram correndo sob disparos, deixando todos seus pertences para trás. Após expulsarem as famílias, os pistoleiros queimaram barracos com roupas, documentos pessoais e mantimentos e a polícia apreendeu depois cerca de 20 motos que ficaram no acampamento destruído.
O acampamento não é dirigido pela Liga, mas independente disso, apoiamos toda e qualquer luta camponesa e do povo por uma vida digna de trabalho, terra, justiça e nova democracia e contra mais de 500 anos de exploração, massacres e injustiças no nosso País.
Ainda na quarta-feira, recebemos vários telefonemas denunciando o ataque covarde e alguns companheiros que sobreviveram conseguiram chegar até a sede da Liga em Jaru confirmando as informações. Denunciamos imediatamente a grave situação a vários órgãos de imprensa e entidades populares. Também repassamos o relato de camponeses que foram expulsos do local de que cerca de 15 pessoas teriam morrido no acampamento pelas balas dos jagunços, o que também havia sido denunciado em vários meios de imprensa de nosso estado.
Assim que foi possível, também verificamos in loco a situação da área. No momento, os acampados estão na linha 02 próximo à BR 421, dormindo no relento, só com a roupa do corpo e se alimentando graças à ajuda de moradores do local, solidários com os camponeses. Eles confirmam o fato que já havíamos denunciado e ainda informaram que do dia 9 para o dia 10 uma caminhonete da fazenda movimentou-se a noite toda no local onde era o acampamento. É possível que estivessem pegando corpos para esconder em outro local, assim como fizeram em Santa Elina, logo após o massacre de 1995 para não deixar pistas do verdadeiro número de camponeses assassinados pelos pistoleiros e policiais a mando do latifúndio.
Alguns jornalistas foram até a área do acampamento Conquista da União para acompanhar a situação, sendo que alguns deles foram recebidos com hostilidade pelos pistoleiros da fazenda, como relatou o próprio Roberto Gutierrez, da Folha de Rondônia.
Outra situação estranha é que, mesmo com todas as denúncias e com os tiros tendo sido ouvidos a vários quilômetros de distância, a polícia só compareceu no local no dia 10 às 16 horas. E mesmo assim os policiais que compareceram no local foram os membros da polícia ambiental que trabalham dentro da fazenda Condor e que são conhecidos na região pelos abusos cometidos contra a população da região, em especial aos camponeses sem-terra.
Até agora nenhum corpo foi encontrado, mas os camponeses sobreviventes do ataque dizem que existem até 30 pessoas desaparecidas. Este número não é preciso, pois os camponeses se espalharam enquanto fugiam do ataque. Ainda não podemos afirmar com certeza que houveram mortes, mas também não podemos afirmar que não houve nenhuma. A região de Buritis tem um histórico de massacres e ataques de pistoleiros a mando de latifundiários contra camponeses e nas últimas semanas a campanha difamatória de setores vendidos da imprensa nacional e estadual nos indicam a tentativa de prepararem a opinião pública para um aumento da repressão e até a execução de um massacre contra os camponeses pobres em luta pela terra.
Discordamos veementemente das afirmações de alguns veículos de imprensa que querem insinuar que “não foram achados mortos, portanto está tudo bem”.
Perguntamos se está tudo bem que pistoleiros invadam acampamentos queimando pertences do povo, atirando para todos os lados?
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Posso repassar a carta que Você postou sob o título de 'O que se Passa no Norte do País?'?
Beatriz