Sem demais dúvidas, o evento com certeza ficou marcado como muito querido aqui em Belo Horizonte. Afirmo como moradora daqui. E já sinto saudades.
Foi uma semaninha recheada de cores, conversas, debates, encontros e festejos. Daqui, muitas idéias boas saíram e, mais do que isso, muita esperança de transformações.
Como um depoimento pessoal, afirmo que gostaria de ter participado mais. Queria ter participado de tudo. Queria conseguir ocupar dois espaços com um corpo só, contrariando o contrário das leis da física, se fosse possível.
As tardes em que circulei pelo Parque Municipal, Serraria Souza Pinto e Casa do Conde me deixaram essa vontade. Em cada lugar que passava encontrava pessoas de lugares diferentes, sotaques diferentes, roupas diferentes. Batuques diferentes, músicas diferentes, manifestações culturais diferentes. Pieguices a parte, a cidade ficou realmente mais encantada.
Assisti, a princípio, a aula-espetáculo de Ariano Suassuna. E outra abertura do evento não seria melhor. Ele nos deixou o gostinho de sermos brasileiros , a vontade de entrar de vez na nossa cultura e debatê-la, discuti-la, mudá-la, transformá-la. Com um “empurrãozinho” desse, não restava mais nada. (http://novodenada.blogspot.com/2007/11/cabra-macho.html)
A Feira de Economia Solidária reunia aquilo que estava espalhado por toda cidade: diversidade. As tipicidades de cada região se apresentavam nos stands e a vontade de aprender e compartilhar com os outros, nas oficinas.
Por um momento passei em uma discussão no espaço Cultura Digital e Conexão. Gilberto Gil, Cláudio Prado e Jorge Mautner se reuniram com representantes de Pontos de Cultura do Brasil inteiro para debater o tema: “Banda larga: que porra é essa?”. Gil apresentou um vídeo que mostrava como foi possível instalar a banda larga no município de Piraí, no Rio de Janeiro, e como esta se tornou exemplo para o resto do Brasil. Exemplo porque conseguiu alcançar uma inclusão que une contemporaneidade e simultaneidade. Inclusão que atinge não só a periferia mas o município como um todo, com técnicas iguais para todos.
Em Piraí, o desenvolvimento digital foi possível através da utilização do que já havia no seu espaço urbano. As torres de transmissão de grandes empresas foram cedidas para o programa “Município Digital” através de um acordo que beneficiava os dois lados. As torres estavam ali instaladas pelo grande alcance que tinham e, assim, conseguiam atingir seu público nas cidades grandes. Não tinham a quem atingir naquela região interiorana. Mas a prefeitura de Piraí tinha e, por isso, se utilizou das torres. Em contrapartida, com o programa, foi formado um novo público para aquelas mesmas torres, ampliando seu mercado. Constituiu-se assim uma verdadeira parceria público-privada.
Piraí então iniciou o debate e os representantes dos Pontos de Cultura foram responsáveis por mantê-lo.
Esse encontro enriquecedor foi mais um dos momentos em que foi possível perceber que mais que um evento cultural com apresentações de todos os cunhos, havia ali uma intenção maior. Buscava-se unir idéias de todos os lugares e fazê-las propagar por todo Brasil como em uma teia.
De Piraí para o Brasil. De Belo Horizonte para o Brasil. Do Brasil para o Brasil.
E com essa mensagem a TEIA se encerrou para mim. Ou melhor, o evento se encerrou para mim. A TEIA é o que acontece agora. Vamos passar o que aprendemos aqui para todo o resto e, com tudo que um final-clichê pede: vamos continuar sendo os nós dessa teia.
E voltem sempre!
Tags: cobertura, compartilhada, teia2007
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